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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Síndrome do Piriforme

  A síndrome do piriforme consiste em uma importante causa de dor na região glútea, devido a uma irritação causada no nervo ciático, decorrente do aumento de tensão ou espasmo do músculo piriforme. O músculo piriforme trata-se de um músculo pequeno e profundo, que tem origem ao longo da superfície anterior do sacro, seguindo posterolateralmente pelo sulco isquiático, terminando no trocanter maior do fêmur. Possui função primária de rotação externa do quadril e abdução do mesmo. Na maior parte dos indivíduos, o nervo ciático passa por baixo desse músculo; contudo, em uma pequena parcela da população (aproximadamente 10%), o primeiro passa através do segundo, aumentando a predisposição para o surgimento da síndrome.
A primeira descrição desta patologia foi feita no ano de 1928, por Yeoman. No entanto, somente em 1947 foi que esta síndrome foi descrita na literatura com maiores detalhes, por Robinson. Este, por sua vez, nomeou a patologia de síndrome, pois relatou seis achados que compunham o quadro:
  • Histórico de trauma na região sacro-ilíaca e glútea;
  • Dor na região sacro-ilíaca, escoltadura ciática maior e piriforme que migra para a coxa, ocasionando dificuldade para deambular;
  • Aumento da intensidade da dor quando o paciente se encontra na posição sentada ou em pé ou, parando abruptamente quando o mesmo caminha;
  • Aumento de volume palpável e doloroso, ao exame do músculo piriforme por meio de toque retal;
  • Dor durante a elevação do membro inferior com o joelho estendido enquanto o paciente encontra-se deitado de costas (chamado de sinal de Lasegue);
  • Atrofia glútea, dependendo da duração das manifestações clínicas.
Hoje em dia esta síndrome é descrita como sendo um encarceramento do nervo isquiático (ciático), resultando em dor abrangendo na região glútea irradiando para toda a região inervada pelo mesmo. Até o momento não existe um consenso entre os pesquisadores a respeito de uma causa comum do surgimento desta patologia. Em metade dos casos, há histórico de traumas na região pélvica ou glútea. O trauma pode ocasionar inflamação, edema e espasmo do músculo piriforme, levando a compressão do nervo contra o ísquio. As inflamações crônicas do piriforme habitualmente são consequentes de uma variação anatômica, como, por exemplo, a passagem anormal do nervo ciático através do músculo piriforme. Outra possível causa são infecções.
Os pacientes relatam a presença de uma dor profunda na região glútea que queima e, normalmente, desce pela perna. Esta dor pode intensificar-se durante o movimento de abdução da coxa. O diagnóstico é feito com base na presença dos seis critérios descritos por Yeoman expostos acima. Todavia, é importante ressaltar que não é possível evidenciar a irritação do nervo ciático na região do músculo piriforme por meio de radiografias.

A melhor maneira de prevenir a síndrome do piriforme é mantendo os músculos, que participam do movimento de adução e abdução, alongados e fortalecidos. Além disso, antes de praticar qualquer atividade física, é de extrema importância realizar aquecimento adequado.  
fonte: InfoEscola

Paulo Vicente - Personal Trainer

domingo, 22 de março de 2015

Alongamento antes ou depois do treino ??

 Um dos grandes dilemas dos praticantes de modalidades que envolvam força muscular, Seria o alongamento indicado precedendo o treinamento?

Grandes amigos, uma matéria bem esclarecedora a respeito do alongamento pré ou pós treino.
No corpo humano existem, segundo Achour Júnior (2006) tecidos contráteis (músculos) e não contráteis (fáscias, tendões e ligamentos), sendo que ambos possuem propriedades elásticas e plásticas. Para se conseguir a deformação plástica, a tensão aplicada com o exercício de alongamento deve alcançar e permanecer, ou até mesmo superar ligeiramente o limite elástico do tecido. Ainda segundo o autor, a manutenção da tensão de alongamento causa o aumento no tamanho do tecido.
Atualmente, o alongamento muscular antes do exercício vem gerando controvérsias em relação aos seus efeitos no que diz respeito ao desempenho muscular.
Shrier (2004) analisou, em sua revisão crítica, 32 estudos relacionados à influência do alongamento pré-exercício na performance muscular. Além de não encontrar benefícios em nenhum dos estudos, o autor ainda constatou que em 20 deles foram relatados efeitos deletérios agudos do alongamento na capacidade de geração de força muscular. Entretanto, há divergência entre os estudos em relação ao motivo que teria gerado a diminuição da força por conta do alongamento prévio. A capacidade de geração de tensão muscular é otimizada quando o sarcômero encontra-se na posição de repouso, pois assim é permitida a ativação de todas as possíveis pontes cruzadas de ligação entre actina e miosina presentes no mesmo (DI ALENCAR; MATIAS, 2010).
Quando um músculo está muito encurtado ocorre a sobreposição dos filamentos de actina e miosina, isso acarreta em um numero reduzido de ligações entre elas e, consequentemente, em um menor potencial de desenvolvimento de força na contração (RAMOS; SANTOS; GONÇALVES, 2007). Da mesma forma, se o músculo for alongado muito além do seu comprimento de repouso, o número de pontes cruzadas também diminui, uma vez que a sobreposição dos filamentos proteicos se reduz drasticamente.

Os efeitos gerados com a aplicação de exercícios de alongamento podem ser divididos em agudos (imediatos) e crônicos (ao longo do tempo). Os agudos são resultado da flexibilização do componente elástico da unidade musculotendínea. Já os efeitos crônicos são resultantes de um remodelamento adaptativo do músculo, que se dá pelo acréscimo do numero de sarcômeros em série nas miofibrilas, implicando no aumento do comprimento do músculo (HALL; BROD, 2007 apud DI ALENCAR ;MATIAS,2010).
Para Shrier e Gossal (2000) apud Di Alencar; Matias (2010), os exercícios de alongamento proporcionam a diminuição direta da tensão muscular através das mudanças viscoelásticas passiva ou diminuição indireta devido à inibição reflexa e à consequente mudança na viscoelasticidade oriundas da redução de pontes cruzadas entre actina e miosina. O resultado de uma tensão muscular menor é uma amplitude articular maior. Outro aspecto que pode influenciar negativamente na geração de força muscular após o alongamento está relacionado a fatores neurais (GREGO NETO, 2007).

O arco reflexo na musculatura esquelética se apresenta como um importante mecanismo de ajuste do nível de contração muscular, uma vez que mantém o centro integrador constantemente informado sobre o estado de estiramento e tensão muscular (McARDLE, KATCH e KATCH, 2003 apud DI ALENCAR ;MATIAS,2010 ). Os principais receptores envolvidos nesse mecanismo são os fusos musculares e os órgãos tendinosos de Golgi.

Paulo Vicente - Personal Trainer